Filiação a REDE
- Max Arcano
- Mar 11, 2017
- 3 min read
Bom, tomei minha decisão. Vou me filiar a REDE mesmo. Pode parecer estranho a primeira vista, mas pensei muito antes de tomar esta decisão, e a faço com uma análise apurada baseada em fatos. É óbvio que isto vai desagradar muita gente, mas isso é um ônus que vou ter de aceitar. Existe muita desinformação em torno deste partido e da Marina (que infelizmente é automaticamente associada ao partido), da qual eu mesmo fui vítima por muito tempo, e inclusive algumas eu reproduzi com virulência. É importante salientar que minhas posições se mantém as mesmas. Sou autonomista ferrenho, defendo a autonomia dos movimentos sociais e das organizações de cidadãos sempre. Defendo um socialismo libertário, resultante de uma revolução vinda da organização das ruas em um Poder Popular autônomo. Defendo a autogestão socio-político-econômica como condição primordial para que este socialismo seja um socialismo de fato. Defendo que para chegarmos neste estágio de revolução, devemos superar o “movimentismo” e hackear o sistema, por dentro inclusive, inserindo germes de democracia direta e emponderando os cidadãos na gestão de seus próprios interesses. Defendo as confluências como um grande método a ser utilizado, assim como a democracia líquida, as redes autônomas, os mandatos coletivos e cidadãos, etc… Defendo a organização de Círculos de Cidadania que sirvam de espaço de reflexão e ação autônoma das pessoas. Defendo que a tecnologia deve ser largamente utilizada para superar as bolhas ideológicas e emponderar os cidadãos, gerando uma democracia líquida. Defendo o pós-capitalismo, como método de construção revolucionária. Defendo a economia criativa e em rede, como um dos métodos de pós — capitalismo. Defendo o Estado laico e os direitos das maiorias. Enfim, mantenho as mesmas posições que já mantinha antes. Não virei porém marinista. Continuo achando o culto a personalidade um problema gravíssimo de nossa cultura política ainda extremamente hierárquica. Entro na REDE portanto para fortalecer que o partido vá muito além do marinismo. Para fortalecer a ala mais a esquerda e progressista do partido, que acredito que saiu muito fortalecida do último processo eleitoral. Para fortalecer as iniciativas de democracia direta e líquida que se gestam dentro do partido, como por exemplo os Conselhos Cidadãos, o uso do Konsento, os mandatos cidadãos/coletivos e as candidaturas cidadãs. Faço esta opção por acreditar que dentre todos os partidos, os que mais tem abertura para hackear o sistema com doses de democracia direta e líquida são a REDE e o Podemos/PTN, mas acredito que na REDE existe menos alas a direita e muito maior espaço para “disputa” para o progressismo. Pesa na minha opção também minha falta total de afinidade com o marxismo tradicional, o que me afasta do PSOL, apesar de que trabalharei para que a REDE se aproxime cada vez mais do PSOL, pois vejo sintonias entre ambas. Minha maior afinidade segue sendo com o anarquismo, apesar de que sei que meu tipo de anarquismo é muito raro no Brasil, sendo mais comum na Espanha, e portanto um pouco estigmatizado. Sigo apoiando a Raiz e o movimento ecofederalista ainda, apesar de estar um pouco decepcionado com a Raiz em algumas coisas. Mas sigo apoiando. É óbvio que posso me decepcionar com esta opção mais a frente, mas não vou saber se vou errar ou acertar nisto se não tentar ao menos, não é mesmo? Então é isso. Não que eu precise justificar algo para alguém. Mas eu tomo como princípio a transparência, então deixo aqui tudo explicitado.
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