POR UMA ESTRATÉGIA MUNICIPALISTA LIBERTÁRIA NO PIRATAS
- Max Arcano
- Apr 28, 2015
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POR UMA ESTRATÉGIA MUNICIPALISTA LIBERTÁRIA NO PIRATAS
Os partidos tradicionais tem como objetivo projetos de poder, no geral. Ganhar eleições majoritárias (presidência e etc) são portanto a consagração de seus projetos. Como antipartido, creio que o Partido Pirata deva assumir uma estratégia contrária. Uma estratégia que leve em conta uma polinização em rede no tecido social mais básico. A unidade mais básica dentro de um país são as cidades. Portanto, creio que os municípios devam ser nosso foco.
POLINIZAÇÃO EM REDE
Meu melhor feito como coordenador, no meu entendimento, foi ter impulsionado as setoriais no partido (não são criação minha, já estavam em estatuto). Muito se discute sobre o antigo grupo aberto de facebook do partido. Que este seria um grande trabalho social etc... Discordo veementemente. Acredito que cada vez mais o facebook demonstra que ao invés de canalizar novas energias, o face dispersa energia em debates inócuos que quase sempre não trazem nenhum resultado efetivo em termos de ação. Não creio portanto que seja um meio interessante de agregar novos piratas, no geral. Acredito que devemos aproveitar o fim do grupão para focar em potencializar as setoriais e aumentar a vida orgânica dos coletivos locais do partido. Vida orgânica dos coletivos creio que é auto explicativo. Um coletivo deve ter uma atuação concreta e organizada, tanto virtual quanto off line, para atingir resultados satisfatórios. Uma agenda de reuniões abertas e de afiliados, agenda de participações em ações sociais importantes (protestos, palestras, shows, etc), grupos de debate on line próprios atuantes, espaços de deliberação vivos no loomio, entre outros, são instrumentos primários para que o coletivo tenha uma vida política e social pulsante e integrada à vida social da comunidade onde se insere, em sua cidade e estado. Ao invés de ter um grande grupo onde todos debatem, podemos aproveitar e encaminhar os interessados para os próprios grupos de face regionais, fomentando um dos pilares da vida orgânica do coletivo local. Mas afinal o que são setoriais? São basicamente grupos de estudo e redes de ação ativista. Por um lado, tem como tarefa essencial, estudar e ampliar as pautas específicas do nosso programa e estatuto. A setorial Bucaneiras, por exemplo, estuda temas relacionados às questões femininas. Ao se aproximar de uma Anapirata, os debates da setorial são condensados e apresentados aos demais piratas para que se encaminhe em forma de proposta para votação, no programa. São a forma perfeita de eliminarmos o problema visto na última Anapirata, de pouco tempo para debate das propostas. Por outro lado, reúne piratas (filiados ou não) e ativistas que concordem com nossas cláusulas pétreas, para marcar ações sobre os temas elencados pela setorial em questão. A setorial de tecnologia por exemplo poderia marcar um twittaço contra alguma cláusula abusiva do Marco Civil. As setoriais portanto podem ser abertas a participação de qualquer interessado. Um pirata pode participar de qualquer setorial que quiser, ou de todas. A diferença é que cada espaço é focado em um assunto, o que facilita construir consensos e organizar as propostas em tempo hábil antes da Anapirata. Dento do partido as setoriais acabam cumprindo outra função essencial: acabam por estimular a criação do que em outros partidos se chamam “tendências”. A setorial de educação por exemplo, pode terminar por estimular a criação de um movimento estudantil e sindical de professores de essência pirata. E isso sem cair no centralismo tradicional dos outros partidos, onde se tem uma linha geral de atuação e os militantes se somam a esta. As setoriais podem estimular isto através do próprio processo de constituição de redes ativistas, o que obviamente tem muito mais nossa cara em termos de movimento social. Estas duas opções, se utilizadas, terminam por “polinizar” as estruturas sociais regionais-comunitárias cidadãs e de movimentos sociais afins, de forma não impositiva ou autoritária. Espalham portanto as idéias piratas junto ao cidadão comum e ativistas, que são quem creio ser nossos focos maiores. Esta polinização (capilarização) se dá portanto em rede, e não de cima para baixo.
A ESTRATÉGIA MUNICIPALISTA LIBERTÁRIA
De nada adianta eleger um presidente pirata, em termos de estratégia de médio prazo (dois a três mandatos presidenciais, traduzindo isso em tempo). Um presidente pirata não conseguiria efetivar quase nada, pois não contaria com o apoio necessário para isso. E levando em conta que a proposta pirata é muito mais ampla e profunda do que as demais de outros partidos (construir uma democracia plena), isso acaba por se agravar. Dito isto, no meu entendimento deve se buscar inspiração no processo que partidos novos como o Podemos espanhol leva a cabo tendo como base as idéias do filósofo anarquista Murray Bookchin. Murray falava sobre um municipalismo libertário, ou seja, eleger localmente libertários que fortaleceriam os municípios, fazendo um contraponto com os governos nacionais. Dentro desta perspectiva pirata que falo aqui, creio ser o mais acertado. Primeiro ter o máximo de piratas vereadores possível, depois ir subindo até as prefeituras (de preferência de cidades menores, onde os experimentos sociais sejam mais fáceis de aprovar). Apartir do momento em que constituímos de um lado com as redes das setoriais e através do ativismo social dos coletivos uma boa relação com o Poder Popular autônomo das ruas e movimentos sociais(não confundir com a nefasta política de correias de transmissão dos partidos autoritários, a relação aqui dita é de amizade e companheirismo mesmo, com todo respeito possível a autonomia dos movimentos citados), e de outro lado uma inserção efetiva nas comunidades onde os coletivos piratas se inserem, uma presidência pirata por exemplo contará com os apoios necessários para implementar o caminho para nossos objetivos, democracia plena inclusa. Tendo esta estratégia como base, acredito que os piratas massificarão com larga facilidade nos próximos anos.
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